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Foi durante uma entrevista que a escritora mais incisiva no universo literário moçambicano divulgou que “Não gostaria de voltar a escrever”, facto que abalou toda internet.

A autora do livro “Balada de amor ao vento”, Paulina Chiziane, também defendeu também que “Não Pode publicar eventualmente qualquer coisa, mas escrita como carreira basta”

“As transformações são sempre violentas, meu filho. Não existe transformações tranquilas. Nesses livros só escrevi aquilo que as pessoas costumam fazer. Tal radicalismo pode residir na coragem que tive de denunciar. Mas digo, as histórias que conheço de religiosos e curandeiros, se tivesse que escrever esse livro o mundo iria ruir. Aqueles indivíduos bonitos, no altar, quando a missa é no Domingo, Sexta-feira vão fazer fumaça no curandeiro. Então, porquê esta relação de amor e ódio? Quer dizer, detestamos o curandeiro de dia, mas amamos-lhe à noite. Enfim, estou aqui, cansada de escrever. Foram muitas lutas ao longo dos 26 anos de carreira literária. É normal que alguém se canse de uma certa profissão e mude. Não gostaria de voltar a escrever, não. Posso publicar eventualmente qualquer coisa, mas escrita como carreira basta. Chegou a minha hora de sentar.” – Respondeu a escritora Chiziane

Paulina Chiziane nasceu em Manjacaze (Gaza), a 4 de Junho de 1955. Começa a carreira literária publicando contos na imprensa nacional e, em 1990, torna-se uma referência incontornável ao lançar Balada de amor ao vento. Também é autora de Ventos do Apocalipse; O Sétimo Juramento;Niketche; As Andorinhas; O Alegre Canto da Perdiz; Na mão de Deus; Por Quem Vibram os Tambores do Além? e Ngoma Yethu. Venceu Prémio José Craveirinha e foi condecorada pelo governo português com o grau de Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique. E, ano passado, a contadora de estórias foi homenageada pelo grupo SOICO, pelos 25 anos de carreira e 60 anos de vida. Além de estudada por autores moçambicanos e brasileiros, sobretudo, a escrita de Paulina Chiziane continua a ser adaptada para bailados e peças teatrais.

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