Quinta-feira, Setembro 16, 2021
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Crenças e mitos dos machanganas

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No respeitante a atribuição de nomes, temos o seguinte aspecto, na cultura changana para atribuição do nome a uma criança recém nascida existem dois critérios a serem seguidos: o nome tradicional e um nome do gosto dos pais.

No que concerne ao nome tradicional, antes do bebé nascer deve procurar saber dos curandeiros qual é a pessoa que tenha morrido na família que deseja ser chará da criança, sendo assim os pais da menor vão procurar saber dos espíritos chamados “tinguluves” e seguidamente fazem todas as cerimónias até encontrar um nome de um falecido. Caso não procurem saber do nome nos curandeiros e atribuir-se um nome qualquer que seja, pode dar o caso da criança ficar sempre doente, até perceber-se que existe um falecido na família que precisa ser recordado. Nesse sentido, se a família da criança ignorar esse aspecto a criança pode chegar a perder a vida, nisso porque os espíritos irão zangar e levarão a criança para junto deles. Pensa-se que os antepassados estão sempre com eles para lhes protegerem caso haja um inconveniente, eles retiram-se deixando as coisas/ a vida correr mal do lado da família.

Curandeiro ou “médicos tradicionais” são os que assumem um papel central quer na prestação de cuidados de saúde, quer na regulação da incerteza e dos problemas sociais dos seus utentes.

Os curandeiros são os que detêm  poderes curativos, divinatórios e de eficácia ritual ao facto de serem possuídos por espíritos de defuntos que com eles formam uma simbiose profissional e ontológica (Honwana 2002).

Numa família se alguém estiver com esse dom são ainda estes espíritos que o forçam a abraçar a profissão, através de uma doença de chamamento que é, simultaneamente, uma declaração de intenções por parte dessas entidades espirituais e uma ameaça de morte caso recusem submeter-se à eles.

No entanto, o indivíduo com essas tendências a partir do momento em que inicia a sua formação, é orientada por um nyanga experiente, a profissão passa a ser o fulcro da sua existência, a que todos os restantes aspectos da vida se subordinam e objecto de um forte investimento emotivo, intelectual e valorativo.

O papel e função do nyanga é ser um prestador de serviços terapêuticos e rituais, ser um intermediário junto das entidades espirituais (recorrendo à adivinhação ou transe) e ser um gestor da incerteza. Isto faz com que, para além de curar doenças, possa ver-se obrigado a desempenhar tarefas tão díspares como combater feiticeiros ou servir de conselheiro matrimonial e familiar.

A capacidade para desempenhar estas tarefas advir-lhe-á de ser possuído por espíritos (chikuembo) ou seja, por entidades espirituais que ao contrário dos antepassados e defuntos comuns adquiriram poderes especiais em virtude do estatuto, acções ou excepcional força espiritual que tiveram em vida ou devido a circunstâncias negativas na sua morte. Com efeito, não é suposto alguém escolher ser nyanga, mas antes ser escolhido para essa tarefa por espíritos que mantêm algum tipo de ligação familiar com a pessoa e «querem trabalhar» através dela (ou, mais precisamente, com ela e nela), após um acto de possessão.

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