Terça-feira, Setembro 28, 2021
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Exploração da mão-de-obra infantil em tempos da pandemia da Covid-19

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Rosto pálido, boca seca e semblante cansado, é como se apresenta Manuel Simbine, nome fictício, vendedor ambulante nas artérias da cidade de Maputo de apenas 14 anos de idade.

A vida para esta criança tem sido um desafio diário, pois segundo o mesmo, se tornou chefe de família quando ainda era conveniente se ajuntar à demais crianças para brincar.

Manuel, é vendedor ambulante de várias coisas. Um dia vende laranjas, e outro vende ovos e assim vai ganhando a vida e o sustento da família, cuja é composto por 11 membro, dois dos quais são os avôs maternos e responsáveis pela educação do menino.

A indignação por ter que dividir o tempo só com a escola e o trabalho é patente no rosto do menor, e acrescenta que a situação piorou  com a pandemia, pois a escola era o único lugar que aproveitava para brincar durante os intervalos.

“Eu vivo com minha avó e meu avô e 8 primos, e sou mas velho dos primos. Vivia na Africa do Sul com minha mãe e meu pai, mas eles discutiam muito e eu sempre chorava, depois vieram me deixar aqui em Moçambique, na Polana Caniço em casa da minha mãe, eu só tinha 8 anos.  Logo no ano seguinte minha avó disse que eu tinha que começar a trabalhar para ajudar nas despesas, como não sabia falar português tinha que aprender para entrar na escola. De la até aqui as coisas só pioram. Actualmente só temos certeza de uma refeição por dia, que é o jantar, e para ter um pouco de comida  a tarde no dia seguinte cada um deve deixar pouca comida no prato. Não tenho tempo para brincar porque devo trabalhar, e desde que começou coronavírus é pior, porque na escola dava pra aproveitar”.

A posição de neto mais velho faz com que os avôs negligenciem a saúde do menino, pois segundo ele, mesmo quando está doente deve levantar com suas dores e correr atrás da garantia de mais um jantar e quando contraria as ordens é punido, sendo deixado sem a única refeição.

“Vovó diz que meus pais vieram me deixar e mal trazem comida, por isso não tenho direito de ficar doente. As vezes arranjo o que comer nas ruas. Aquelas senhoras que fazem comida me mandam cartar água e depois me dão comida”.

Perguntamos ao menor se conhecia os riscos que corre ao se fazer em mercados ou lugares aglomerados, nesses tempos da covid-19, a resposta foi “Sim. Mas não tenho como ficar em casa, ja pensei em ficar num sitio só passar o tempo o problema é que no final do dia não posso voltar para casa com balde cheio e sem dinheiro”. Também não esquecemos de questionar se pelo menos usava desinfectante e a mascara de protecção, e a resposta foi devastadora ” só mascara, e lavo as mãos quando encontro água na rua”.

Para além das vendas feitas pelo Manuel, os avôs tem uma fonte de rendimento, mas o menino não soube especificar o trabalho do avô,  porém a avó é vendedeira, em sua banca vende tomates, cebolas, caldos, pimentos e mais. Mesmo com possibilidades mínimas para cuidar dos netos, nem espaço para brincar eles dão.

A equipe de Reportagem da Tve24 deslocou-se até à casa do menor. Chegado la, como o menino tivera dito, a sua avó estava vendendo em sua banca.

Expusemos o depoimento do menino mas a vovó, que também não quis ser identificada, negou o facto de mandar Manuel para trabalhar quando está doente.”Esse não percebi que não temos condições aqui em casa, o que ele faz ajuda a todos, as vezes finge estar doente para não ir vender”, e quanto a situação actual, o governo tem mandado para ficar em casa, principalmente às crianças   e mesmo assim Manuel continua a vender. O que tem a dizer sobre este facto? “Avô desse trabalha, com salário dele só da comprar barra de peixe, caixa de patinhas e óleo, minha banca não tem muito lucro, então só quando Manuel sai para vender conseguimos dinheiro de arroz” , não tem medo que ele se infecte e venha vos transmitir coronavírus? ” tenho, mas paciência”. A vovó sabe que constitui crime colocar as crianças para trabalhar e não respeitar os seus direitos e deveres como criança? …. Não tivemos resposta.

Recentemente, dois dos primos do Manuel, de idades de 11 e 9 anos começaram a trabalhar, também como vendedores informais, para aumentar à receita diária pretendida pela avó.

Apesar do drama vivido pelo Manuel, há um olhar sonhador que resplandece em seu rosto, pretendendo ele se tornar um médico daqui há alguns anos.

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