Piloto da LAM quis despenhar avião

Piloto da LAM quis despenhar avião

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Um relatório das autoridades aeronáuticas da Namíbia confirma a intencionalidade do piloto em despenhar o avião das Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) em novembro de 2013, num desastre que matou 33 pessoas, informou esta sexta-feira a imprensa namibiana.

Segundo as conclusões do relatório, divulgadas hoje pelo jornal The Namibian, Hermínio dos Santos Fernandes estava sozinho no ‘cockpit’ do avião, que fazia a ligação entre Maputo e Luanda, quando deliberadamente baixou a altitude até embater no solo, no Parque Nacional de Bwabwata, na Namíbia.

Contactado pela Lusa, o presidente da Autoridade de Aeronáutica Civil de Moçambique (IACM), João Abreu, disse não ter ainda informação oficial sobre o documento, mas tudo indica que se trata do relatório final da entidade homóloga da Namíbia.

O relatório preliminar ao desastre da LAM, divulgado em janeiro de 2015, já apontava para a tese de suicídio do piloto. Segundo a edição de hoje do The Namibian, o relatório, assinado pelo responsável da investigação ao desastre, Theo Shilongo, e validado pelo ministro dos Transportes da Namíbia, Alpheus Naruseb, indica que Fernandes ficou sozinho aos comandos do Embraer-190 da LAM, ao fim de uma hora e cinquenta minutos de voo, quando o seu copiloto foi à casa de banho, tendo a porta do ‘cockpit’ ficado fechada.

Depois disso, o comandante alterou manualmente por três vezes a altitude do avião, de 38 mil pés para apenas 592, abaixo da elevação do solo naquela região. Também a velocidade da aeronave foi alterada manualmente até ao fim da gravação de dados disponível.

Piloto estava deprimido “O relatório declara que as ações tomadas por Fernandes indicam explicitamente os seus conhecimentos sobre os sistemas do avião e especificamente sobre os controlos automáticos, durante toda a descida, feita com o piloto automático ligado e sem qualquer força aplicada nas colunas de comando”, refere o jornal.

Durante estes acontecimentos, prossegue, não houve nenhuma comunicação a declarar qualquer emergência e as condições atmosféricas não apresentavam dificuldades.

Hermínio dos Santos Fernandes, de 49 anos à data do desastre, tinha 9.052 horas de experiência de voo, das quais 2.519 neste modelo da Embraer.

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